E quando me perguntam: "você gosta de forró?" E eu respondo 'NÃO!', paira aquela dúvida no ar: 'sério, mesmo você sendo do interior?'. É, mesmo sendo do interior, do sertão, especificamente de onde tudo começou. Mas a minha resposta não é completamente verdadeira, quer dizer, é no sentido ao que chamam forró essas bandas atuais, e não preciso nem citá-las, né? Na verdade eu gosto sim de forró! Oxente? Decida-se! Você deve estar se perguntando. Se você me pergunta do forró, legítimo, que veio com o nosso Rei do Baião, nossa! Como eu gosto! E dou o maior valor, pode apostar! Um homem que fugiu de casa e conseguiu fazer poesia nas suas letras é digno de toda admiração; falar do sertanejo, do seu sofrimento, brincar com as palavras. É desse FORRÓ que eu gosto e sinto falta, não dessas pornografias sem sensura, amores mal correspondidos, traição na cara cuspida, e a mulher tratada como puta, desvalorizada. Não, meu amigo! Não é dessa coisa que atinge o número 1 das rádios que eu admiro. Além do que, a criatividade dessa coisa atual é tanta que se você ouvir o cd da banda x, apresenta duas inéditas, das quais uma é versão da música mais tocada no momento e a outra vai além dessa música e top das tops durante a semana, o resto é figurinha repetida. Se por acaso comprar um dvd pra assistir com a família, seus filhos aprenderão vendo os órgãos genitais do corpo humano, sem nem chegar à educação sexual, e aí serão inevitáveis as comparaçoes ao ballet dos dançarinos e às preliminares numa relação, quando um filho perguntar de onde veio, coloque o dvd e mostre, logo da abertura: "você veio assim", pronto, explicado!Enfim, saudades de quando ouvia cedo antes de ir pra escola os sucessos de Gonzagão e seus derivados, isso sim é forró, é disso que eu gosto, que tenho orgulho...de onde eu sou?? Do sertão, onde a mulher tem a cintura fina, onde a asa branca volta, a saudade é qui nem jiló e lá no meu pé de serra tenho a saudade de voltar pro meu sertão...
