"Ó beleza! Onde está a tua verdade?"
William Shakespeare

segunda-feira, 14 de junho de 2010

Lá no meu pé de serra...

E quando me perguntam: "você gosta de forró?" E eu respondo 'NÃO!', paira aquela dúvida no ar: 'sério, mesmo você sendo do interior?'. É, mesmo sendo do interior, do sertão, especificamente de onde tudo começou. Mas a minha resposta não é completamente verdadeira, quer dizer, é no sentido ao que chamam forró essas bandas atuais, e não preciso nem citá-las, né? Na verdade eu gosto sim de forró! Oxente? Decida-se! Você deve estar se perguntando. Se você me pergunta do forró, legítimo, que veio com o nosso Rei do Baião, nossa! Como eu gosto! E dou o maior valor, pode apostar! Um homem que fugiu de casa e conseguiu fazer poesia nas suas letras é digno de toda admiração; falar do sertanejo, do seu sofrimento, brincar com as palavras. É desse FORRÓ que eu gosto e sinto falta, não dessas pornografias sem sensura, amores mal correspondidos, traição na cara cuspida, e a mulher tratada como puta, desvalorizada. Não, meu amigo! Não é dessa coisa que atinge o número 1 das rádios que eu admiro. Além do que, a criatividade dessa coisa atual é tanta que se você ouvir o cd da banda x, apresenta duas inéditas, das quais uma é versão da música mais tocada no momento e a outra vai além dessa música e top das tops durante a semana, o resto é figurinha repetida. Se por acaso comprar um dvd pra assistir com a família, seus filhos aprenderão vendo os órgãos genitais do corpo humano, sem nem chegar à educação sexual, e aí serão inevitáveis as comparaçoes ao ballet dos dançarinos e às preliminares numa relação, quando um filho perguntar de onde veio, coloque o dvd e mostre, logo da abertura: "você veio assim", pronto, explicado!
Enfim, saudades de quando ouvia cedo antes de ir pra escola os sucessos de Gonzagão e seus derivados, isso sim é forró, é disso que eu gosto, que tenho orgulho...de onde eu sou?? Do sertão, onde a mulher tem a cintura fina, onde a asa branca volta, a saudade é qui nem jiló e lá no meu pé de serra tenho a saudade de voltar pro meu sertão...

Os perdidos anos 90



Ahhhh...os anos 90! Quem não pulou corda, andou de patins, ouviu É o Tchan e levou uma surra da mamãe por chegar tarde e sujo em casa porque estava brincando na rua? É aí que eu emprego o "tempos bons que não voltam mais!" Não voltam e não serão experiências pra criançada de hoje. Porque hoje é tudo moderno: vou escutar minhas músicas de Luan Santana no meu mp7, assistir Malhação à tardinha, conversar no msn com a turminha depois da janta e ter que fazer a lição de casa, senão mainha não me dá o dinheiro pra comprar aquele tênis ou vestidinho transadíssimo que vi hoje mesmo numa loja, tá ligado??
Nossa!! Que saudades de quando era criança e vivi como uma. A idéia de ser beijada por um garoto me causava náuseas, não tinha vergonha de levar minhas bonecas para brincar na hora do recreio, e olhe só! Comia pão com queijo (feito pela mamãe) e suco na hora do lanche. Lia nos fins de tarde os quadrinhos da Turma da Mônica e ficava de olho na TV Manchete horas mais tarde e olhar a maratona de desenhos que disponibilizavam para nós. Ao ler esse texto, você deve estar pensando "que coincidência", ou "eu fazia outras coisas tipo jogar Mário ou Street Fight, ou outra coisa, e deve estar como eu agora..."como era bom!!"Hoje as adolescentes prematuras estão vidradas nas roupas de moda, qual música de amor trálálá vai fazer sucesso, ir às festas que vão bombar, ficar e contar quantos garotos/garotas, beber porque é legal, cheirar porque irão me chamar de careta se não o fizer e sentir o máximo...
Eles estão pulando a infância e a adolescência passa a ser a vida adulta: crianças que bebem, dirigem, adolescentes que engravidam, constroem lares.
Eu tenho saudades, muitas por sinal, e tento revivê-las quando possível ao escutar Trem da Alegria no meu celular, ao lembrar e dançar dos passos de axé da época, ao jogar Banco Imobiliário com minha irmã, assistir Chaves no You Tube. Não que eu não seja feliz hoje, mas se me concedessem um pedido, seria voltar nos anos 90 e parar essa década. Aprendemos nossos valores, mesclados com inocência e as coisas simples da vida...E tem coisa melhor do que isso??